Arquivo da categoria ‘Psicanálise’

Freud em edição de bolso já disponível

09/03/2010

A L&PM Editores disponibilizou hoje dois livros da edição de bolso de Sigmund Freud. Os títulos são “Totem e tabu” e “O mal-estar na cultura“, traduzidos do alemão por Renato Zwick. A propósito, o site da L&PM disponibilizou uma entrevista com o tradutor.

A partir de hoje, os livros podem ser adquiridos pelo site da editora, mas em breve chegarão às livrarias. O valor de cada um é R$ 14,00.

Francis Bacon e o papel de espelho da mãe

21/02/2010

Autorretrato de Francis Bacon

Donald W. Winnicott escreveu em seu “O brincar e a realidade” um capítulo chamado “O papel de espelho da mãe e da família no desenvolvimento infantil“. Neste capítulo, Winnicott reconhece a influência de Lacan, mas pensa no espelho em termos do rosto da mãe.

A grosso modo, quando levado ao seio, o bebê dirige o olhar à mãe e, no desenvolvimento normal, é a si mesmo que ele vê. Porém, em uma situação desfavorável, o bebê encontra uma mãe deprimida, incapaz de espelhar o seu olhar. A predizibilidade precária da mãe leva o bebê a organizar uma defesa, uma retirada.

Winnicott refere-se a uma de suas pacientes que citou em uma sessão o pintor (não o filósofo) Francis Bacon, que retratava rostos deformados. Segundo o psicanalista, Bacon pintava essas figuras como se empreendesse um grande esforço para ser visto (pela mãe) e isso é o que está na base do olhar criativo. Outra característica das pinturas de Francis Bacon era o vidro colocado de tal forma que aquele que olhava a tela também se olhava no reflexo, como em um espelho.

Quem tiver interesse na relação entre o papel de espelho da mãe e as pinturas de Bacon, recomendo o artigo “O Psicanalista e o pintor: o encontro entre Winnicott e Francis Bacon“, de José Outeiral.

Na realidade, escrevi este post principalmente para revelar a minha recente descoberta: as pinturas de Francis Bacon (acessíveis pela internet). Curiosamente, passei muito tempo sem conhecê-las e aproveito esta oportunidade para compartilhar com os leitores a galeria e a biografia (em inglês) de Francis Bacon.

VII Congresso da AMP – 2010, em Paris

18/02/2010

Prepararem o passaporte que vem aí o VII Congresso da Associação Mundial de Psicanálise, de 26 a 30 de abril de 2010, em Paris – França. O tema do evento é “Semblantes e sintoma”. O local do evento será o Palais des Congrès, na região de Porte Maillot.

O site da AMP tem uma versão em português, onde estão disponíveis programa, bibliografia sobre o tema, dicas de alojamentos em Paris e outras informações. O blog do evento é inteiramente escrito em francês. A propósito, não sei se a organização do evento oferecerá tradução simultânea para as conferências em francês.

Curiosamente, não encontrei o link para inscrição do evento, apenas para inscrição da festa de encerramento (fête de clôture). Contudo, o site fornece orientações para os trabalhos, cujo prazo de envio era o dia 15 de fevereiro.

Se alguém souber de mais algo, peço que deixe um comentário neste post.

Homofobia nas Forças Armadas é tema do Globo News Painel

16/02/2010

O programa Globo News Painel de 13 de fevereiro de 2010, apresentado por Mônica Waldvogel, discutiu a homofobia nas Forças Armadas e teve a participação do jornalista André Fischer, da advogada Maria Cristina Reali Espósito e do psicanalista Jorge Forbes. O próprio Forbes divulgou o programa através do seu twitter (@jorgeforbes).

Os vídeos desse debate estão disponíveis pela internet no site da Globo através do seguinte link: http://migre.me/k6kL

Agenda 2010 de José Outeiral disponível no site

12/02/2010

O site do psicanalista José Outeiral atualizou recentemente a agenda para 2010. Infelizmente, até o presente momento, não há passagem do psicanalista por Brasília neste ano. No entanto, é bem provável que isso mude, pois há pelo menos um evento que terá a presença de José Outeiral e que não está ainda relacionado na agenda, o Congresso do Círculo Brasileiro de Psicanálise. Além disso, à medida que o ano vá passando, a agenda deve engordar.

O que me parece mais atraente no site dele são os artigos. Além de textos de Outeiral, há também textos de Júlio Mello, Andre Green, Masud Khan, Sándor Ferenczi, Hanna Segal, Arminda Aberastury, Jacques Lacan, etc. São tantos os textos que talvez essa parte do site mereça o nome de “biblioteca” em vez de “artigos”. Destaco a “Carta a Winnicott, de Jacques Lacan” e o artigo “Função Paterna e o exercício da Justiça“, de Sandra Maria Baccara de Araújo. Este texto é resultado da tese de doutorado da Prof. Sandra.

O site de modo geral ainda está em construção, principalmente as páginas “Seminários Winnicott” e “Vídeos”. Contudo, os livros de José Outeiral estão todos listados em “Livros”, acompanhados das respectivas sinopses. Há a seção de Polo, uma paixão do psicanalista, com alguns vídeos, dentre eles um desenho animado da Disney sobre o esporte. A escolha do vídeo é de muito bom humor, uma marca registrada de Outeiral.

Estou à espera dos exemplares de “Velveteen Rabbit“, que encomendei da Amazon. Um deles vai para Porto Alegre, mas como eram muito baratos, escolhi o frete também barato. Por isso, devem chegar daqui a uns dias, mas quando chegarem pretendo escrever algo sobre o livro.

Psicanálise ao alcance de todos

07/02/2010

Há muitas pessoas que consideram a psicanálise uma área de conhecimento obscura, pornográfica, restrita aos intelectuais e que usa e abusa de jargões inexplicáveis. Contudo, trarei aqui exemplos do quanto grandes psicanalistas esforçaram-se para atingir o público leigo e indico esses como os caminhos pelos quais esses mitos podem ser derrubados.

Sigmund Freud proferiu suas “Conferências Introdutórias sobre Psicanálise” (Imago), em 1916, a um público supostamente desconhecedor da psicanálise. Essas conferências podem ser consideradas resumos das descobertas de Freud durante o primeiro período da psicanálise. O texto é escrito em uma linguagem acessível e direta, sem obstáculo para o leitor comum. Na realidade, em vários países, a obra de Freud é reconhecida por essas características e o caráter hermético é atribuído por muitos especialistas à tradução (Tradutore, Traditore). A prova disso, como já mencionei em outros posts, foi o prêmio literário Goethe concedido a Freud em 1930.

Donald Winnicott fez cerca de 50 palestras radiofônicas para a BBC entre 1939 e 1962, quase todas dirigidas aos pais. O livro “Conversando com os Pais” (Martins Fontes) reúne todas as palestras em rádio feitas depois de 1955. A edição é organizada por Clare Winnicott, Christopher Bollas, Madeleine Davis e Ray Shepherd, e a introdução é do notável pediatra T. Berry Brazelton. As palestras radiofônicas serviram ainda de base para o livro “A criança e o seu Mundo” (LTC).

Conversando com os Pais (Martins Fontes)

Parte da fama de indecifrável conferida a Jacques Lacan está relacionada ao fato de sua obra ter sido extraída de seus seminários. Ao converter uma obra falada em escrita, muito se perde, especialmente as referências. O prejuízo da conversão é maior pelo fato de Lacan ter elaborado a sua releitura de Freud valendo-se de conceitos oriundos de outras áreas de conhecimento, como matemática, lógica e linguística. Nesse caso, a recuperação dessas referências é fundamental, mas disso se encarregaram os seus sucessores.

Eu gosto de recomendar a leitura dos livros acima citados para pessoas que se interessam em travar um primeiro contato com Freud e Winnicott. Não é por acaso que psicanalistas, como José Outeiral, são convidados por escolas para proferir palestras a professores, pais e alunos. A abordagem simples e sincera é a melhor maneira de despertar nos leigos o interesse pelo conhecimento.

Existem também projetos sociais que oferecem tratamento psicanalítico a pessoas de classes sociais mais baixas. O precursor desse tipo de projeto em Brasília foi o professor Richard Bucher, que idealizou e implementou um modelo de recuperação de dependentes químicos baseado na abordagem psicanalítica. O Centro de Orientação Sobre Drogas e Atendimento a Toxicômanos (CORDATO), foi inaugurado por Bucher e uma equipe multiprofissional em 1986, com o apoio da Universidade de Brasília.

Apesar de sempre haver aqueles que se alimentam de mitos, os conceitos psicanalíticos fazem parte do vocabulário popular e, depois de mais de cem anos do seu emblemático “A Interpretação dos Sonhos“, Freud continua a influenciar pensadores. E não perco a esperança de que a obra de Freud em domínio público sirva para que a psicanálise torne-se ainda mais popular, e alcance algo próximo do que ocorre em outros países, como na Argentina.