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Fanatismo e psicologia de esquerda no Brasil

05/01/2010

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) é, assim como a própria história da psicologia no Brasil, uma instituição comprometida com a ideologia socialista. Uma representante da íntima relação entre Psicologia e esquerda política é a heroína Nise da Silveira, reconhecida pela militância na Aliança Nacional Libertadora, organização liderada pelo Partido Comunista.

Essa mobilização pode ser percebida nos dias de hoje pela marcante participação do CFP em eventos como o congresso da ULAPSI (União Latinoamericana de Entidades de Psicologia) e a CONFECOM (Conferência Nacional de Comunicação).

Na minha opinião, isso torna o CFP um conselho mais comprometido com o discurso de esquerda do que com o profissional da psicologia. Na realidade que me cerca, o psicólogo brasileiro é um profissional pragmático, que se preocupa em trabalhar em condições dignas e receber um valor justo por isso. A pesquisa WHO de 2000, encomendada pelo CFP, é bastante clara a esse respeito.

Dessa maneira, não considero que as ideias do CFP correspondam ao que aspira o profissional de psicologia e, portanto, entendo que não são representativas. Na realidade, vejo o CFP como uma instituição alinhada com diversos outros movimentos de esquerda, como União Nacional dos Estudantes, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, CUT, etc.

O que li até agora que melhor explica como funciona o fanatismo socialista são dois textos de Olavo de Carvalho:

Psicologia do fanatismo – 21 de novembro de 2002

Ainda o fanatismo – 05 de dezembro de 2002

Talvez a classe de psicólogos no Brasil não tenha coesão e força porque as instituições psicológicas promovem um discurso distante do dia a dia dos profissionais. Digo por mim e pelo que interpretei das muitas cadeiras vazias que encontrei em eventos do CRP.

O discurso da psicologia partidária, que descarta o que não lhe serve, (felizmente?) não atinge o psicólogo. Talvez seja por isso que o Sistema Conselhos não encontrou até agora uma forma efetiva de interagir com os profissionais da psicologia. Pelo menos, é o que nos mostram fóruns esvaziados, blogs abandonados, como já mencionei anteriormente.

Volto a dizer: o que leio no site do CFP não representa o que eu quero (nem o que ouço dos meus colegas). O que há lá é o ranço de parte de uma geração frustrada pela ilusão comunista.

Esqueceram de mim

26/11/2009

Pesquisa sobre Avaliação do Título de Especialista

Daqui a aproximadamente vinte dias, o prazo final para preenchimento da Pesquisa sobre Avaliação do Título de Especialista completará um ano.

A pesquisa foi lançada em 2008 pelo Conselho Federal de Psicologia e teve como prazo para preenchimento o dia 15 de dezembro de 2008. Segundo o CFP:

O objetivo desse questionário é mensurar o reconhecimento do Título de Especialista, para a categoria e para os cursos de especialização em Psicologia.

Não sei se os colegas tomaram conhecimento e preencheram a pesquisa, mas como o processo se deu pela internet, imaginei que os resultados já deveriam ter sido apurados e divulgados.

2009: Ano da Psicoterapia

Este ano foi considerado pelo Sistema Conselhos o Ano da Psicoterapia. Pelo que eu sei, o CRP-01 promoveu o debate sobre psicoterapia em apenas duas ocasiões: numa mesa na Semana de Debates do CRP-01 e em alguns momentos da Semana de Psicologia.

Eu esperava que o Ano da Psicoterapia fosse mais proveitoso e que os formadores tivessem participado mais. Nos eventos, vi pouquíssimos professores de curso de formação, tanto nas mesas de debate como entre os demais colegas que assistiam.

CRP-01 na internet

O CRP-01 definitivamente abandonou a sua proposta de interação na internet. O blog não é atualizado desde 25 de março de 2009. Infelizmente, os poucos que se aventuraram a comentar no blog não obtiveram resposta do CRP.

Tentei acessar o fórum agora, mas o link da página inicial do CRP-01 para o fórum estava errado. Como eu tinha nos Favoritos, consegui o link correto. Segundo o rodapé do fórum, o recorde de usuários on-line foi 6 em 20/10/2008. Até hoje, foram postadas apenas 83 mensagens. Na minha opinião, são números inexpressivos para um fórum (ou, por outro lado, números que expressam a inatividade do fórum).

Então…

Apesar disso:

  • O nosso Conselho Federal de Psicologia compareceu e participou (enviando sugestões) do III Congresso Latino-Americano de Psicologia ULAPSI 2009, no México
  • O Sistema Conselhos faz parte das Comissões Organizadoras Estaduais da Confecom (como já mencionei no post anterior).

Talvez essas questões aqui levantadas possam justificar os comentários do post “Mainardi contra CFP“, que escrevi recentemente.

Mainardi contra CFP

19/11/2009

Diogo Mainardi, colunista da revista Veja e integrante do programa Manhattan Connection (GNT), escreveu em seu blog um post intitulado “Porky’s contra a liberdade“, no qual faz críticas às sugestões do Conselho Federal de Psicologia para debate na Conferência Nacional de Comunicação.

O CFP, por sua vez, divulgou em seu site uma resposta ao post de Diogo Mainardi. Vou transcrever aqui trechos de ambas as partes para que o leitor entenda do que se trata.

[Diogo Mainardi]

Lula tem de parar de alisar os cabelos. Em 14 de dezembro, ele inaugurará a Confecom. Por extenso: Conferência Nacional de Comunicação. Uma das propostas encaminhadas à Confecom pelo Conselho Federal de Psicologia é proibir a propaganda com pessoas de cabelos alisados, com o argumento de que ela pode causar “transtornos de toda ordem”, comprometendo “a integridade física e psicológica” de quem a assiste. O que dizer de Lula? O que dizer de seu cabeleireiro Wanderley?

A Confecom é igual à Ancinav. Ela é igual também ao CFJ. A cada dois anos, o “subperonismo lulista” cria uma sigla para controlar a imprensa. Atacando em duas frentes: editorial e comercial. Inicialmente, as empresas do setor concordaram em participar da Confecom. Depois, elas se deram conta da armadilha preparada por Franklin Martins e pularam fora. Só restaram entidades como CUT, Abragay e Conselho Federal de Psicologia. Que, além de proibir a propaganda com pessoas de cabelos alisados, recomenda proibir igualmente a propaganda de carros, porque “o estímulo ao transporte individual ofusca as lutas por um transporte público de qualidade” e aumenta “o número de mortes em acidentes de trânsito”.

[CFP]

No texto que recebe a interpretação distorcida de Mainardi, o CFP aponta o papel dos meios de comunicação no reforço de um padrão estético único, que busca anular as variedades de formas de ser, de parecer, delimitando as características físicas reconhecidas como legítimas. Padrões de beleza inalcançáveis geram conflitos, sofrimentos, baixa auto-estima, transtornos de toda ordem.

No que se refere à proposta do CFP para a discussão das relações entre mídia e trânsito, de fato o CFP questiona a ode da publicidade à velocidade, comprovadamente relacionada ao problema dos acidentes e mortes no trânsito. Também propõe que se debata o papel da mídia na construção social do predomínio do transporte individual sobre o coletivo – mais ambientalmente sustentável, mais viável para as grandes cidades, como é amplamente sabido. Infelizmente, o recorte escolhido pelo colunista apenas ironiza esta importante discussão, que ao cabo questiona o fato de a publicidade no Brasil ser auto-regulada, sem que haja qualquer mecanismo de participação da sociedade neste tema que a concerne.

Não quero entrar muito [tentarei me conter] no mérito da discussão, mas já manifestei aqui minha crítica à vocação esquerdista do CFP e ao seu interesse obsessivo por políticas sociais.

Mesmo que haja ironia (e Diogo Mainardi é habilidoso nisso) no post dele, há uma questão, não elaborada da forma como faço aqui, que merece atenção: o CFP deve militar para que a sociedade crie seus próprios instrumentos de educação através da mídia (como é o caso do Common Sense Media) e deixar de patrulhar os anunciantes de televisão. No mundo atual, não cabe mais um Estado regulador de televisão e internet.

Vejo hoje que alguns Conselhos travam uma abordagem mais próxima e mais sincera com a população, através de campanhas por exemplo, e isso é o que eu sinto falta por parte do CFP. Apenas atacar a Veja e Mainardi parece ser uma atitude demasiadamente míope.

Eu diria que o discurso do CFP insiste na velha fórmula falida dos regimes socialistas: promover a revolução “popular” a troco da paranoia e do maniqueísmo. Não vamos esquecer: as famílias ainda estão de porte dos seus controles remotos e podem refletir (com ou sem o CFP) para fazer o melhor uso possível deles.

Brilho Eterno: cenas marcantes

19/10/2009

Imagina se depois de brigar com o(a) namorado(a), você pudesse apagá-lo da sua cabeça? Essa ideia banal serviu de inspiração para Charles Kaufman elaborar um roteiro genial sobre o amor.

O filme em questão é “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” (Eternal Sunshine Of The Spotless Mind), dirigido pelo francês Michel Gondry, protagonizado por Jim Carrey e Kate Winslet. Além deles, o filme tem a participação de Mark Ruffalo e Tom Wilkinson. A música “Everybody Gotta Learn Sometimes”, de Beck, dá o tom perfeito à situação. Aliás, a trilha sonora de Jon Brion é de uma sensibilidade emocionante.

Resumo

A história começa com Joel (Jim Carrey), que descobre através de amigos ter sido eliminado das lembranças da ex-namorada Clementine (Kate Winslet), com quem teve um intenso relacionamento. Após consultar-se na clínica que a atendeu, Joel submete-se ao mesmo processo para “apagar” Clementine. Contudo, a viagem pela mente de Joel faz com que ele mude de ideia e lute com todas as forças para interromper o processo.

Charles Kaufman demonstra, a exemplo dos seus outros filmes, que conhece muito bem a linguagem do inconsciente. Sob o efeito da máquina de apagar lembranças, Joel desenvolve uma sequência de associações que, aos olhos de um desatento, parece não fazer muito sentido. Mas faz. E de forma dramática, Joel retoma lembranças remotas da infância e vê o seu amor por Clementine dissolvido quando o encontra de fato.

Queria mencionar algumas cenas que me marcaram:

Cena 1

Uma cena que me chama a atenção é aquela quando os dois estão sob o cobertor e Clementine, recordando-se da boneca da infância, revela que se sentia feia quando era criança. A cena foi modificada por Michel Gondry, sob o argumento de que o texto original não funcionava bem. O texto de Kaufman falava do livro “Velveteen Rabbit”, já tratado neste blog. Veja as duas versões, primeiro a original e depois a do filme:

Cena original do roteiro:

Clem: Joely…
Joel: Sim, Tangerina?
Clem: Você conhece o Velveteen Rabbit?
Joel: Não.
Clem: É o meu livro favorito. Desde que eu era criança. É sobre os brinquedos. Tem uma parte que o Cavalo de Pele diz ao coelho o que significa ser real (chorando).
Não posso acreditar que já estou chorando. Ele (Cavalo) diz, “Demora muito tempo. É porque isso não acontece sempre com aqueles que quebram facilmente ou tem as bordas afiadas, ou aqueles cuidadosamente guardados. Geralmente na hora que se torna real, parte do seu pêlo foi amorosamente arrancado, seus olhos caíram e você fica gasto nas juntas e fica muito surrado. Mas nada disso importa, porque uma vez que você é real, você não pode ser feio, exceto para as pessoas que não entendem.”

Cena do filme

Clem: – Joel?
Joel: – Sim, Tangerina?
Clem: – Eu sou feia? Quando criança eu me achava feia… Não acredito que estou chorando… Às vezes acho que as pessoas não entendem a solidão de ser criança, como se você não fosse importante. Eu tinha oito anos e tinha esses brinquedos, essas bonecas… (vemos cenas da infância e algumas bonecas). A minha preferida eu chamava de Clementine, e eu gritava com ela: “Não pode ser feia, seja bonita!”. Estranho como se, caso eu pudesse transformá-la, eu também mudaria, magicamente.
Joel: – Você é linda! (ele se deita em cima dela e beija seu rosto)
Clem: – Joel, nunca me deixe.
Joel: – Você é linda!

Cena 2

Joel volta à infância e se observa (criança) obrigado pelos amigos a matar um pombo para se afirmar no grupo. Ele (adulto) diz a si mesmo chorando que não queria fazer isso. Clementine (criança) assiste tudo. Ele mata o animal com um martelo, sente-se envergonhado e é levado por Clementine (adulta) para longe do grupo de meninos.

Esta e outras cenas fazem parte do mundo íntimo e doloroso de Joel. Ele leva Clementine para as lembranças infantis numa tentativa de mantê-la, de alguma maneira, viva em sua mente. O inconsciente realmente funciona assim nos sonhos: transporta alguém do presente para circunstâncias do passado.

Cena 3

Joel está encurralado pela máquina. Não consegue mais guardar Clementine nos esconderijos de suas lembranças. Então, ele e Clementine surgem entrando numa casa de praia abandonada. Enquanto ela explora o interior, o telhado começa a desmoronar e o mar invade a casa aos poucos. Joel sente medo e decide partir. Nessa hora, ela diz que gostaria que ele tivesse ficado. Ele responde que naquele momento estava assustado, mas que queria ter ficado.

Na iminência de uma nova fuga, Clementine pergunta: “Joely, e se você ficasse dessa vez?”. Joel retorna, eles se beijam e se despedem.

A casa parece representar a relação do casal, que foi abandonada por Joel quando começou a ruir (referência aos problemas entre eles). Ele, portanto, sentiu-se assustado com as dificuldades e não viu alternativas para os dois juntos.

Enfim, “Brilho Eterno” é um dos meus filmes prediletos. Tenho ele aqui e assisto de vez em quando. Espero ter despertado o interesse em quem não o conhece e que os que assistiram tenham tirado proveito das minhas observações.

Erick Ungarelli chega ao Planeta Saúde Brasil

15/10/2009

Erick Ungarelli é um jovem de 24 anos que cursa Psicologia na Universidade Paulista. Segundo ele próprio, é apaixonado por Psicopatologia, Psicodiagnóstico e Psicologia Analítica (Junguiana). Embora o objetivo do blog dele seja despretensioso, o conteúdo por lá é de muito boa qualidade.

Imaginava que o Planeta Saúde Brasil agregaria apenas blogs de profissionais, mas hoje posso afirmar que a qualidade dos textos é o principal critério para incluir blogs de saúde. Portanto, mesmo que o blog em questão seja de um estudante, está à altura dos demais que fazem parte do Planeta.

Assim como o que é escrito neste blog, o conteúdo disponibilizado pelo Erick está sob licença da Creative Commons. Também a exemplo do que temos aqui, existe por lá um espaço para divulgação de eventos.

Espero encontrar cada vez mais blogs de qualidade que falem de Psicologia e/ou Psicanálise. Isso vale para todos, o Planeta Saúde Brasil continua aberto aos blogs de saúde que tenham algo interessante a dizer. Caso alguém queira me sugerir um blog, terei o prazer de acompanhar para conferir a qualidade do material.

Para quem ainda não segue o Planeta Saúde Brasil, recomendo que faça isso e, se gostar (provavelmente vai), pode ajudar a divulgá-lo. Um link para o Planeta é sempre bem-vindo.