A L&PM Editores disponibilizou hoje dois livros da edição de bolso de Sigmund Freud. Os títulos são “Totem e tabu” e “O mal-estar na cultura“, traduzidos do alemão por Renato Zwick. A propósito, o site da L&PM disponibilizou uma entrevista com o tradutor.
A partir de hoje, os livros podem ser adquiridos pelo site da editora, mas em breve chegarão às livrarias. O valor de cada um é R$ 14,00.
A Dra. Deborah Serani escreveu em seu blog, agregado no Psychology Planet, que a forma como a mídia noticia o suicídio pode implicar em situações completamente opostas. Por um lado, a notícia em veículos de comunicação pode servir de orientação e ajuda para pessoas vulneráveis, mas pode também provocar nelas atitudes perigosas. Veja bem, em nenhum momento é dito que as notícias são causas de suicídio.
Achei que as orientações que a Dra. Serani tirou do Centro de Pesquisas de Prevenção de Suicídio (Suicide Prevention Resource Center) podem ser de utilidade pública, mas principalmente de grande interesse de jornais, revistas, programas de tv, programas de rádio e até de blogueiros como eu. Vamos às dicas:
O que deve ser evitado:
Evitar: Descrições detalhadas do suicídio, incluindo localização e método especificamente. Motivo: Descrições detalhadas aumentam o risco de imitação do ato por parte de indivíduos vulneráveis.
Evitar: Romantizar alguém que morreu de suicídio. Evitar homenagens prestadas por amigos e parentes. Evitar relatos em primeira pessoa de adolescentes sobre as suas tentativas de suicídio. Motivo: Atenção positiva dada a alguém que se suicidou (ou fez uma tentativa) pode levar a indivíduos vulneráveis que desejam tanta atenção a tirarem suas próprias vidas.
Evitar: Glamour em torno do suicídio de celebridades. Motivo: Pesquisas indicam que suicídios de celebridades podem promover suicídios por imitação entre pessoas vulneráveis. Não deixar o glamour da celebridades ofuscar qualquer problema mental ou abuso de substâncias que possa ter colaborado para a morte da celebridade.
Evitar: Exagerar nas estatísticas da frequência de suicídio Motivo: Exagerar na frequência de suicídio (por exemplo, referindo-se a um “suicídio epidêmico”) pode levar indivíduos vulneráveis a tomar isso como uma reação normal ou aceitável para seus problemas. Até em populações com as mais altas taxas de suicídio, suicídios são raros.
Evitar: Usar palavras como “cometeu”, “fracassou” ou “teve sucesso” em relação ao suicídio. Motivo: O verbo “cometer” é normalmente associado a pecados e crimes. Suicídio é melhor entendido em um contexto de saúde comportamental que em um contexto ligado ao crime. Considere usar a frase “morreu por suicídio”. As frases “suicídio bem-sucedido” ou “fracassou a tentativa de suicídio” implicam em resultados favoráveis ou inadequados. Considere usar “morreu por suicídio” ou “tentativa não fatal de suicídio”.
O que fazer:
Sempre incluir o número de telefone e informações sobre serviços locais de intervenção de crise.
Enfatizar avanços recentes em tratamentos para depressão e outros transtornos mentais. Incluir histórias de pessoas que foram salvas por tratamentos ou que superaram situações difíceis sem recorrer ao suicídio.
Entrevistar um profissional de saúde mental que seja notorialmente estudioso sobre o suicídio e abordar o papel do rastreamento (screening) e tratamento dos transtornos mentais como estratégia de prevenção.
Enfatizar ações que comunidades adotam para prevenir suicídios.
Incluir uma barra lateral listando sinais de alerta, ou fatores de proteção e risco para o suicídio.
Não estou de acordo com absolutamente todos os pontos acima, mas eu concordo com a Dra. Serani que a cobertura da mídia em situações de suicídio tem relevância para pacientes depressivos e suscetíveis ao suicídio. E, por isso, deve haver uma preocupação da mídia em como transmitir a notícia.
Nesta semana, uma baleia orca do SeaWorld matou uma treinadora quando a arrastou pelos cabelos sob a água. Isso me lembrou a fantasia de integração entre o homem e a natureza, que é exaustivamente repetida no discurso “politicamente correto”.
O último representante dessa ideia foi o filme “Avatar”, que na tentativa de retratar essa conexão, acaba na verdade revelando o instinto de domesticação do homem. O avatar domestica animais que parecem “cavalos” e “dragões”, mostrando que é esse tipo de integração que nós idealizamos.
Há uma outra história muito interessante, de dois rapazes que cuidaram de um filhote de leão (chamado de Christian) e depois o libertaram. Um ano depois o reencontraram na África, em uma reserva, e o leão os reconheceu, comportando-se como um gatinho. É justamente esse o ponto: achamos lindo quando animais selvagens comportam-se como animais domésticos.
O parque SeaWorld faz pesados investimentos em pesquisa e considera que promove uma relação saudável entre crianças e animais. Embora eu mesmo tenha achado incrível esses shows quando os assisti, hoje questiono se as crianças devem se encantar com uma baleia em uma piscina (que equivale a uma banheira para o tamanho dela) apresentando-se como se fosse um animal domesticável.
Nem todo mundo sabe que a orca do filme “Free Willy” agonizou melancolicamente por não se adaptar à liberdade. Keiko, o nome dela, foi solta na Islândia, mas não reencontrou a família. Perambulou pelos oceanos seguindo barcos e morreu poucos anos depois apática e abaixo do peso. O efeito do cativeiro pode ser irreversível, tornando o animal desadaptado ao confinamento e à liberdade.
A baleia Keiko em "Free Willy"
Na verdade, o SeaWorld proporciona um show correspondente ao de um circo. Há um mês, levei minha filha ao zoológico aqui de Brasília e vimos o elefante que foi apreendido de um circo por maus tratos. A minha filha e a minha esposa logo notaram que ele estava dançando, como se estivesse diante de uma plateia do “Le Cirque”, a exemplo do que parece ter ocorrido com a baleia Keiko.
O fantástico poder do homem de domesticar animais selvagens é um show, seja no “Avatar” ou em parques e circos. Só não podemos concordar que essa seja a melhor forma de relacionamento entre seres humanos e animais, pelo contrário, talvez seja a mais perversa. É bem possível que o melhor seja ensinar crianças que o homem e o selvagem devem viver separados por causa do instinto de dominação do ser humano.
Donald W. Winnicott escreveu em seu “O brincar e a realidade” um capítulo chamado “O papel de espelho da mãe e da família no desenvolvimento infantil“. Neste capítulo, Winnicott reconhece a influência de Lacan, mas pensa no espelho em termos do rosto da mãe.
A grosso modo, quando levado ao seio, o bebê dirige o olhar à mãe e, no desenvolvimento normal, é a si mesmo que ele vê. Porém, em uma situação desfavorável, o bebê encontra uma mãe deprimida, incapaz de espelhar o seu olhar. A predizibilidade precária da mãe leva o bebê a organizar uma defesa, uma retirada.
Winnicott refere-se a uma de suas pacientes que citou em uma sessão o pintor (não o filósofo) Francis Bacon, que retratava rostos deformados. Segundo o psicanalista, Bacon pintava essas figuras como se empreendesse um grande esforço para ser visto (pela mãe) e isso é o que está na base do olhar criativo. Outra característica das pinturas de Francis Bacon era o vidro colocado de tal forma que aquele que olhava a tela também se olhava no reflexo, como em um espelho.
Na realidade, escrevi este post principalmente para revelar a minha recente descoberta: as pinturas de Francis Bacon (acessíveis pela internet). Curiosamente, passei muito tempo sem conhecê-las e aproveito esta oportunidade para compartilhar com os leitores a galeria e a biografia (em inglês) de Francis Bacon.
A psicoterapeuta Keely Kolmes teve uma desagradável surpresa no dia 17 de fevereiro de 2010 ao abrir o seu e-mail. Apesar de saber dos rumores do Google Buzz, ela descobriu pelo Gmail que estava automaticamente seguindo e sendo seguida pelos seus contatos e que qualquer um teria acesso a essas informações.
Como a psicoterapeuta havia disponibilizado o e-mail de contato para os pacientes quando estes a solicitavam, ela foi involuntariamente vinculada pelo Google a eles, e eles a ela. Na prática, qualquer um que visitasse o perfil de Keely Kolmes teria acesso a lista parcial dos seus pacientes, assim como o perfil de cada um deles passou a relacioná-la nos contatos. Outra preocupação dela foi o efeito na relação terapêutica se viesse a bloqueá-los.
Ela não só desativou o Buzz imediatamente, como mostrou os passos de como fazer em seu site. E eu mesmo tenho visto muita gente ensinando e estimulando a desativação do Buzz. A questão do sigilo foi seriamente violada, apesar da correção do Google dias depois. Algumas pessoas questionaram como uma empresa tão inteligente ignorou as consequências dessa situação.
As medidas que a psicoterapeuta tomou foram mudar o e-mail dela para o Hushmail e incentivar que outras pessoas também abandonem o Gmail. Por esse e outros motivos, o meu Buzz também está desativado, mas o meu Gmail continua funcionando normalmente.
De qualquer forma, cheguei à conclusão que sou um desastre para redes sociais: 90% dos meus tweets são divulgações de posts, no Orkut tenho uns 6 contatos que quase nunca me veem por lá… enfim, não tenho por hábito interagir de outra forma que não seja por e-mail ou blog. E mesmo assim, prefiro compartilhar informações importantes pessoalmente.
Ah, se quiser desativar o seu Google Buzz, vá ao Gmail, clique em Configurações, vá na aba Google Buzz e clique em “Desativar o Google Buzz completamente”.
Enquanto isso, o Twitter comemora e prospera de vento em popa.
O Correio Braziliense de hoje, 19 de fevereiro de 2010, publicou uma matéria chamada “A vida por um fio“, que fala sobre a história da turismóloga carioca Fernanda do Valle, que lançou o livro “Eu, ele e a enfermeira… na luta contra a anorexia“, pela Clio Editora.
Segundo o Correio, Fernanda conta no livro que sofria de transtornos alimentares desde o início da adolescência. O quadro agravou-se perto de se casar e, a partir daí, ela passou por várias internações, além do acompanhamento intensivo de marido e enfermeira. Embora a autora do livro afirme que venceu a batalha, disse também que a sua luta é como a de um alcoólatra, nunca acaba.
A anorexia e outros transtornos alimentares são mais frequentes do que se imagina nos dias de hoje, mas o tratamento ainda é incerto. A grande dificuldade é que a maioria das famílias de bulímicos e anoréxicos sustentam um tabu acerca do assunto e, por isso, o tratamento só é procurado em estado avançado do transtorno.
A “chance” concedida ao paciente para se cuidar sozinho, como teve Fernanda do Valle, me parece uma mistura de despreparo e negligência por parte dos médicos e demais profissionais da saúde. A bulimia e a anorexia são transtornos graves, demandam cuidados imediatos e, caso não recebam a devida atenção em tempo hábil, podem levar à morte.
Já falei sobre isso no blog anteriormente e voltarei a falar, mas aproveito esta oportunidade para enfatizar a necessidade de um acompanhamento médico e psicológico nesses casos. Não acho necessário que o psicólogo ou psicanalista seja especialista no assunto, é preciso apenas que tenha alguma experiência e se empenhe no caso.
Não posso deixar de parabenizar o Correio Braziliense por publicar mais uma reportagem sobre o tema nem de lembrar que o assunto também é destaque na novela “Viver a vida“, de Manoel Carlos.