
Muito tem que se dizer sobre a formação de um psicólogo. Para começar, o psicólogo clínico é um profissional que praticamente não observa um outro psicólogo em ação, nem mesmo vê um professor atendendo na faculdade. É um profissional que, na grande maioria das vezes, passa o dia dentro de um consultório sem ter contato com seus pares.
Talvez seja por isso que os psicólogos são tão desunidos. Talvez isso explique por que é relativamente difícil para um psicólogo fazer uma indicação, uma vez que não conhece tecnicamente seus colegas. Talvez isso explique por que muitos psicólogos sentem-se desamparados ao saírem da faculdade e não persistam na clínica. Talvez por isso muitos tenham que dar início à própria psicoterapia para entender do que se trata atender uma pessoa.
Posso afirmar que psicólogos, psicanalistas e psicoterapeutas, de modo geral, deparam-se com essas questões.
Mas vou deixar a recomendação de dois livros para quem quiser entender um pouco mais do acontece com um terapeuta ao encontrar o seu paciente/cliente. O primeiro livro já foi citado neste blog, do famoso Contardo Calligaris, e o segundo livro, um presente do meu pai, é do renomado junguiano Roberto Gambini. Veja as resenhas das editoras:
Cartas A Um Jovem Terapeuta – Contardo Calligaris
Este livro apresenta uma série de cartas escritas pelo psicanalista Contardo Calligaris a um jovem que esteja iniciando, considerando iniciar, profissionais já atuantes ou interessados pela área da psicoterapia. Por meio de perguntas e respostas, Calligaris compartilha seu conhecimento, discute e destrincha a profissão de terapeuta, dando as informações necessárias a todos os interessados nessa área. Contardo levanta questões como as características necessárias para ser um bom psicoterapeuta, discute situações em que paciente se apaixona pelo terapeuta, traça reflexões sobre o começo da carreira, diferenças entre psicoterapia e psicanálise, a problemática de se conseguir mais pacientes, dentre várias outras questões.
A Voz e o Tempo, Reflexões para Jovens Terapeutas – Roberto Gambini
Este é um livro-resposta a perguntas que qualquer terapeuta faz a si próprio: o que é “terapia”? Quais suas promessas? Como opera uma interpretação de sonho? O que é, essencialmente, a transferência? Qual a significação de seu percurso pessoal? O que o tempo faz com o analista?
Não se espere, no entanto, respostas convencionais. Respaldado nos seus trinta anos de clínica, articulando inteligência e sensibilidade, e experimentando o quanto emoção pode se tornar uma categoria cognitiva, o Autor tece reflexões instigantemente originais. Por exemplo, a visão da transferência como uma pulsão de busca de ser compreendido, dimensão arquetípica que responde a uma necessidade ainda mais urgente do que ser amado: ser conhecido, para conseguir ser. (Um outro modo de dizer que na aventura humana precisamos do Outro). Ou a idéia da interpretação de um sonho como um processo de diálise psíquica, inesperada metáfora para o processo em que a matéria do sonho sai daquele que a produziu, circula em outras veias, é como que retransfundida no analista passando pelo seu circuito emocional e daí retorna transformada, enriquecida.Ou as reflexões sobre a dor, matéria prima com que se trabalha no consultório, força criativa ou letal. E tudo isso por vezes atingindo o limite do dizível ? uma das características que fazem do livro de Roberto Gambini um texto poético: nomeando, colocando em palavras percepções e realidades que confusamente sentimos, e vivemos, mas que não saberíamos expressar.

Vladimir, eu acrescentaria também os livros: Ser Terapeuta (organizado por Ieda Porchat e Paulo Barros), O fio das palavras (de Luiz Cancello) e Os desafios da terapia (de Irvin Yalom). Nunca tinha ouvido falar deste A voz e o tempo, mas vou providenciar para lê-lo. Agradeço pelas dicas e questionamentos pertinentes. Atenciosamente. Felipe
OBS: No próximo número da revista Psicologia: Ciência e Profissão sairá um artigo meu sobre a questão da formação em Psicologia intitulado "Formação em Psicologia no Brasil: um perfil dos cursos de graduação".
Felipe,
Também agradeço as suas dicas. O livro que mencionou do Irvin Yalom é um que ouço falar muito bem. Embora eu tenha 10 anos de estrada, gosto bastante de conhecer a experiência de outros terapeutas. Com certeza, vou seguir as suas sugestões.
Vladimir e Chris,
É um prazer conhecer o trabalho que vocês fazem com seus clientes. Quando entrego o cartão de vocês a uma pessoa sei o que estou fazendo e sei o que eles podem conseguir na relação terapêutica com vocês. É realmente uma pena que outros profissionais não saibam se fazer conhecer como vocês, de uma maneira ética, respeitosa e também criativa. É verdadade que aprendemos a ser terapeutas com nossos terapeutas e supervisores, mas eu também aprendo muito em conversas com colegas como vocês e quando escuto as reflexões das pessoas que são acompanhadas por outros psicoterapeutas.
Torço muito pelo sucesso de vocês!
Abraço,
Daniella Meira Lima
Daniella,
Ficamos muito felizes com as suas palavras.
Sabemos da seriedade do trabalho que vocês realizam e, para nós dois, é uma satisfação enorme receber esse seu reconhecimento.
A relação com os nossos pacientes e essa valorização dos nossos colegas nos motivam a buscar sempre novas possibilidades e caminhos.
Muito obrigada!
Um abraço,
Christiane e Vladimir